novembro 29, 2009

Apresentação






As origens da literatura brasileira



A literatura brasileira, em suas primeiras manifestações, prende-se aos modelos literários trazidos pelos colonizadores portugueses.Esses modelos formaram-se em Portugal entre os séculos XII e XVI, ou seja, durante a Baixa Idade Média e o Renascimento.





As primeiras manifestações da literatura brasileira ocorreram durante o período colonial, de 1500 a 1822. Evidentemente, essa produção foi fortemente marcada pelas influências da cultura e da literatura portuguesa, uma vez que nossos escritores ou eram portugueses de nascimento ou brasileiros com formação universitária em Portugal.Por essa razão, antes de estudar as obras e autores nacionais, convém conhecer, de forma panorâmica, os momentos mais significativos da literatura portuguesa até o século XVI que servirão de referência aos escritores brasileiros.


literatura de cordel:

Produção literária, muito vulgar em Portugal e no Brasil, de características populares. Deve o nome ao facto de as publicações, impressas em papel de fraca qualidade, sob a forma de folhetos, estarem expostas para venda penduradas em cordéis.

Os textos podiam ser em verso ou prosa, não sendo invulgar tratar-se de peças de teatro, e versavam os mais variados temas. Encontram-se farsas, historietas, contos fantásticos, escritos de fundo histórico, moralizantes, etc., não só de autores anónimos, mas também daqueles que, assim, viram a sua obra vendida a preço baixo e divulgada entre o povo, como Gil Vicente e António José da Silva, o Judeu. Exemplos conhecidos de literatura de cordel são História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França, A Princesa Magalona, História de João de Calais e A Donzela Teodora. Algumas tinham origem espanhola, francesa ou italiana, sendo depois adaptadas ao gosto português.

A literatura de cordel teve sucesso, em Portugal, entre os séculos XVI e XVIII.

Trovadorismo

































A época do trovadorismo abrange as origens da Língua Portuguesa, a língua galaico-portuguesa (o português arcaico) que compreende o período de 1189 a 1418. Portugal ocupava-se com as Cruzadas, a luta contra os mouros, e estava marcado pelo teocentrismo (universo centrado em Deus, a vida estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma) e pelo sistema feudal (sistema econômico e político, entre senhores e vassalos ou servos), já enfraquecido, em fase de decadência. Quando finalmente a guerra chega ao fim, começam manifestações sociais de período de paz, entre elas a literatura, e em torno dos castelos feudais também desenvolveu-se um tipo de literatura que redimensiona a visão do mundo medieval e aponta para novos caminhos, essa manifestação literária é o Trovadorismo.Os poetas e cronistas dessa época eram chamados de trovadores, pois no norte da França, o poeta recebia o apelativo trouvère (em Português: trovador), cujo radical é: trouver (achar), dizia-se que os poetas "achavam" sua canção e a cantavam acompanhados de instrumentos como a cítara, a viola, a lira ou a harpa. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos. Os trovadores tinham grande liberdade de expressão, entravam em questões políticas e exerceram destacado papel social. O primeiro texto escrito em português foi criado no século XII (1189 ou 1198) era a "Cantiga da Ribeirinha", do poeta Paio Soares de Taveirós, dedicada a D. Maria Paes Ribeiro, a Ribeirinha. As poesias trovadorescas estão reunidas em cancioneiros ou Livros de canções, são três os cancioneiros: Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa (Colocci-Brancuti), além de um quarto livro de cantigas dedicadas à Virgem Maria pelo rei Afonso X, o Sábio. Surgiram também os textos em prosa de cronistas como Rui de Pina, Fernão Lopes e Eanes de Azuraram e as novelas de cavalaria, como A Demanda do Santo Graal.


Tipos de Cantiga.

Os primórdios da literatura galaico-portuguesa foram marcados pelas composições líricas destinadas ao canto.Essas cantigas dividiam-se em dois tipos:>Refrão, caracterizadas por um estribilho repetido no final de cada estrofe,Mestria, que era mais trabalhada, sem algo repetitivo.
Essas eram divididas em temas, que eram: Cantigas de Amor, Amigo e de Escárnio e Maldizer.
Mas com o surgimento dos textos em prosa e novelas de cavalaria, houve uma nova "classificação", que deixou dividido em:Lírico Amorosa, subdividida em: cantiga de amor e cantiga de amigo.Satírica, de escárnio e maldizer.


Temas

Cantiga de Amor


Quem fala no poema é um homem, que se dirige a uma mulher da nobreza, geralmente casada, o amor se torna tema central do texto poético. Esse amor se torna impraticável pela situação da mulher. Segundo o homem, sua amada seria a perfeição e incomparável a nenhuma outra. O homem sofre interiormente, coloca-se em posição de servo da mulher amada. Ele cultiva esse amor em segredo, sem revelar o nome da dama, já que o homem é proibido de falar diretamente sobre seus sentimentos por ela (de acordo com as regras do amor cortês), que nem sabe dos sentimentos amorosos do trovador. Nesse tipo de cantiga há presença de refrão que insiste na idéia central, o enamorado não acha palavras muito variadas, tão intenso e maciço é o sofrimento que o tortura.
São cantigas que espelham a vida na corte através de forte abstração e linguagem refinada.

Cantiga de Amigo

O trovador coloca como personagem central uma mulher da classe popular, procurando expressar o sentimento feminino através de tristes situações da vida amorosa das donzelas. Pela boca do trovador, ela canta a ausência do amigo (amado ou namorado) e desabafa o desgosto de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher. Nesse tipo de poema, a moça conversa e desabafa seus sentimentos de amor com a mãe, as amigas, as árvores, as fontes, o mar, os rios, etc. É de caráter narrativo e descritivo e constituem um vivo retrato da vida campestre e do cotidiano das aldeias medievais na região.


Cantigas de escárnio e de maldizer

Esse tipo de cantiga procurava ridicularizar pessoas e costumes da época com produção satírica e maliciosa.As cantigas de escárnio são críticas, utilizando de sarcasmo e ironia, feitas de modo indireto, algumas usam palavras de duplo sentido, para que, não entenda-se o sentido real.As de maldizer, utilizam uma linguagem mais vulgar, referindo-se diretamente a suas personagens, com agressividade e com duras palavras, que querem dizer mal e não haverá outro modo de interpretar.Os temas centrais destas cantigas são as disputas políticas, as questões e ironias que os trovadores se lançam mutuamente.As novelas de cavalaria - Surgiram derivadas de canções de gesta e de poemas épicos medievais. Refletiam os ideais da nobreza feudal: o espírito cavalheiresco, a fidelidade, a coragem, o amor servil, mas estavam também impregnadas de elementos da mitologia céltica.
A história mais conhecida é A Demanda do Santo Graal, a qual reúne dois elementos fundamentais da Idade Média quando coloca a Cavalaria a serviço da Religiosidade. Outras novelas que também merecem destaque são "José de Arimatéia" e "Amadis de Gaula".Autores (Trovadores)Os mais conhecidos trovadores foram: João Soares de Paiva, Paio Soares de Taveirós, o rei D. Dinis, João Garcia de Guilhade, Afonso Sanches, João Zorro, Aires Nunes, Nuno Fernandes Torneol.Mas aqui falaremos apenas sobre alguns.Paio Soares TaveirósPaio Soares Taveiroos (ou Taveirós) era um trovador da primeira metade do século XIII. De origem nobre, é o autor da Cantiga de Amor A Ribeirinha, considerada a primeira obra em língua galaico-portuguesa.D. DinisDom Dinis, o Trovador, foi um rei importante para Portugal, sua lírica foi de 139 cantigas, a maioria de amor, apresentando alto domínio técnico e lirismo, tendo renovado a cultura numa época em que ela estava em decadência em terras ibéricas.
D. Afonso XD. Afonso X, o Sábio, foi rei de Leão e Castela. É considerado o grande renovador da cultura peninsular na segunda metade do século XIII. Acolheu na sua corte e trovadores, tendo ele próprio escrito um grande número de composições em galaico-português que ficaram conhecidas como Cantigas de Santa Maria. Promoveu, além da poesia, a historiografia, a astronomia e o direito, tendo elaborado a General Historia, a Crônica de España, Libro de los Juegos, Las Siete Partidas, Fuero Real, Libros del Saber de Astronomia, entre outras.D. DuarteD. Duarte foi o décimo primeiro rei de Portugal e o segundo da segunda dinastia. D. Duarte foi um rei dado às letras, tendo feito a tradução de autores latinos e italianos e organizando uma importante biblioteca particular.
Ele próprio nas suas obras mostra conhecimento dos autores latinos.Obras: Livro dos Conselhos; Leal Conselheiro; Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela.Fernão LopesFernão Lopes é considerado o maior historiógrafo de língua portuguesa, aliando a investigação à preocupação pela busca da verdade. D. Duarte concedeu-lhe uma tença anual para ele se dedicar à investigação da história do reino, devendo redigir uma Crônica Geral do Reino de Portugal. Correu a província a buscar informações, informações estas que depois lhe serviram para escrever as várias crônicas (Crônica de D. Pedro I, Crônica de D. Fernando, Crônica de D. João I, Crônica de Cinco Reis de Portugal e Crônicas dos Sete Primeiros Reis de Portugal).
Foi "guardador das escrituras" da Torre do Tombo.Frei João ÁlvaresFrei João Álvares a pedido do Infante D. Henrique, escreveu a Crônica do Infante Santo D. Fernando. Nomeado abade do mosteiro de Paço de Sousa, dedicou-se à tradução de algumas obras pias: Regra de São Bento, os Sermões aos Irmãos do Ermo atribuídos a Santo Agostinho e o livro I da Imitação de Cristo.Gomes Eanes de ZuraraGomes Eanes de Zurara, filho de João Eanes de Zurara. Teve a seu cargo a guarda da livraria real, obtendo em 1454 o cargo de "cronista-mor" da Torre do Tombo, sucedendo assim a Fernão Lopes. Das crônicas que escreveu destacam-se: Crônica da Tomada de Ceuta, Crônica do Conde D. Pedro de Meneses, Crônica do Conde D. Duarte de Meneses e Crônica do Descobrimento e Conquista de Guiné.

Algumas cantigas:


CANTIGA DE AMOR


No mundo non me sei parelha,
Mentre me for’como me vay
Ca já moiro por vos – e ay!
Mia senhor branca e vermelha,
Queredes que vos retraya
Quando vus eu vi em saya!
Mao dia me levantei,
Que vus enton non vi fea!
E, mia senhor, des aquel di’ ay!
Me foi a mi muyn mal,
E vos, filha de don Paay
Moniz, e bemvus semelha
D’aver eu por vos guarvaya
Pois eu, mia senhor d’alfaya
Nunca de vos ouve, nem ei
Valia d’ua correa.


CANTIGA DE AMIGO


- Ai flores, ai flores do verde pino,
Se sabedes novas do meu amigo?
Ai, Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
Se sabedes novas do meu amado?
Ai, Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo, Aquel que mentiu do que pôs comigo?
Ai, Deus, e u é?

CANTIGA DE ESCÁRNIO

Conheceis uma donzela>Por quem trovei e a que um dia
Chamei dona Berinjela?
Nunca tamanha porfia
Vi nem mais disparatada.
Agora que está casada
Chamam-lhe Dona Maria.
Algo me traz enojado,
Assim o céu me defenda:
Um que está a bom recato
(negra morte o surpreendae o Demônio cedo o tome!)
quis chamá-la pelo nomee chamou-lhe
Dona Ousenda.
Pois que se tem por formosa
Quanto mais achar-se pode,
Pela Virgem gloriosa!
Um homem que cheira a bode
E cedo morra na forca
Quando lhe cerrava a boca
Chamou-lhe Dona Gondrode.

O Barroco no Brasil























Igreja de Santo Antônio do CarmoPrimeira igreja da Ordem dos Carmelitas a ser construída em terras brasileiras, provavelmente, no período de 1580 à 1620.Olinda - PE.

Diferentemente do Barroco europeu, que se voltou principalmente às exigências do público aristocrático, o Barroco brasileiro nasce e se desenvolve em condições bastante diferentes, ganhando características próprias, como é o caso da poesia do baiano Gregório de Matos.

Século XVII. O Brasil presenciava o nascer de uma literatura própria, embora ainda frágil e presa aos modelos lusitanos, restrita a uma elite muito pequena e culta e ainda sem poder contar com um público consumidor ativo e influente. Mas começavam a despontar os primeiros escritores nascidos na colôniae, com eles, surgiam as primeiras manifestações do sentimento nativista, isto é, de valorização da terra natal.
O Barroco brasileiro surgiu nesse contexto.Não se via aqui o luxo e a pompa da aristocracia européia, que, como público consumidor , apreciava e estimulava o refinamento da arte barroca. Arealidade brasileira era diferente: tratava-se de um centro de comércio, de exploração da cana- de- açucar; de uma realidade de violência, em que escravizavam os negros e se perseguia o índio.Apesar disso, os modelos literários portugueses chegaram ao Brasil, e o Barroco, cujas origens se confundem com as da nossa própria literatura, deu seus primeiros passos. Não havia sentimento de grupo ou de coletividade: a literatura produzida em meio ao espírito de aventura e de ganânicia da mentalidade colonista foi fruto de esforços individuais.
Aqueles que escreviam encontraram na literatura um instrumento para criticar e combater essa mentalidade ou para moralizar a população com os princípios da religião ou, ainda, para dar vazão aos seus sentimentos pessoais mais profundos. O Barroco no Brasil só ganhou impulso entre 1720 e 1750 , quando foram fundadas várias academias literárias por todo o país. A descoberta do ouro, em Minas Gerais, possibilitou o desenvolvimento de um Barroco tardio nas artes plásticas, que resultou na construção de igrejas de estilo barroco durante todo o século XVII.
A obra considerada tradicionalmente o marco inicial do Barroco brasileiro é Prosopopéia (1601), de Bento Teixeira, um poema que procura imitar os lusíadas.Os escritores barrocos brasileiros que mais se destacaram são:
*na poesia: Gregório de Matos, Bento Teixeira, Botelho de Oliveira e Frei Itaparica;
*na prosa: Pe. Antônio Vieira, Sebastião da Rocha Pita e Nuno Marques Pereira.
O Arcadismo no Brasil


























Panorâmica de Ouro Preto com o Museu da Inconfidência e Igreja do Carmo ao fundo

O nascimento do arcadismo no Brasil reflete a condição do intelectual brasileiro no século XVIII: de um lado, recebia as influências da literatura e das idéias iluministas vindas da Europa; de outro, interessava-se pelas coisas da terra e alimentava sonhos de liberdade política.



Em Ouro Preto, palco da Inconfidência Mineira, viveram e atuaram os principais escritores do Arcadismo brasileiro.O Arcadismo no Brasil tem seu surgimento marcado por dois aspectos centrais. De um lado, o dualismo dos escritores brasileiros do século XVIII, que, ao mesmo tempo, seguiam os modelos culturais europeus e se interessavam pela natureza e pelos problemas específicos da colônia brasileira; de outro, a influencia das idéias iluministas sobre nossos escritores e intelectuais, que acarretou o movimento da Inconfidência Mineira e suas trágicas implicações: prisão, morte, exílio, enforcamento.O Arcadismo brasileiro originou-se e concentrou-se principalmente em Vila Rica ( hoje Ouro Preto) MG, e seu aparecimento teve relação direta com grande crescimento urbano verificado nas cidades mineiras do século XVIII, cuja a base econômica século XVIII, cuja a base econômica era a extração de ouro.O crescimento espantoso dessas cidades favorecia tanto a divulgação de jovens brasileiros, providos das camadas privilegiadas daquela sociedade, foram buscar em Coimbra, já que a Colônia não lhes oferecia cursos superiores. E, ao retornarem de Portugal, traziam consigo as idéias iluministas que faziam fermentar a vida cultural portuguesa à época das inovações políticas e culturais do ministro Marquês de Pombal, adepto de algumas idéias de ilustração.Essas idéias em Vila Rica, levaram vários intelectuais e escritores a sonharem com Inconfidência do Brasil, principalmente após a repercussão da independência dos EUA (1776). Tais sonhos culminaram na frustada Inconfidência Mineira (1789).Cecília Meireles, em seu Romanceiro da Inconfidência Mineira, registra o espírito febril provocado pelo ouro:"Mil galerias desabam; mil homens ficam sepultados, mil intrigas, mil enredos prendem culpados e justos; já ninguém dorme tranqüilo, que a noite é um mundo de sustos".





Os Árcades e a Inconfidência





Os escritores árcades mineiros tiveram participação direta no movimento da Inconfidência Mineira. Chegados de Coimbra com idéias enciclopedistas e influenciados pela independência dos EUA, provavelmente não apenas engrossaram as fileiras dos revoltos contra erário régio, que confiscavam a maior parte do ouro extraído na Colônia, mais também divulgaram os sonhos de um país independente e contribuíram para a organização do grupo inconfidente. Esses escritores eram Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa.


Do grupo apenas um homem não tinha a mesma formação intelectual dos demais, nem era escritor: o alferes Tiradentes (dentista Prático).Com a traição de Joaquim Silvério dos Reis, que devia vultosas somas ao governo português, o grupo foi preso. Todos, com exceção de Tiradentes, negaram sua participação no movimento. Cláudio Manuel da Costa, segundo versão oficial, suicidou-se na prisão antes do julgamento.No julgamento, vários inconfidentes foram condenados a morte por enforcamento, dentre eles Tiradentes e Alvarenga Peixoto.


Tomás Antônio e outros foram condenados ao exílio temporário ou perpétuo. Tiradentes assumiu para si a responsabilidade da liderança do grupo.No 20 de abril de 1792, foi comutada a pena de todos participantes, excluindo Tiradentes, enforcado no dia seguinte. Seu corpo foi esquartejado e exposto por Vila Rica; seus bens, confiscados; sua família, amaldiçoada por quatro gerações; e o chão de sua casa foi salgado para que dele nada mais brotasse.O Arcadismo no Brasil iniciou-se oficialmente com a publicação das Obras Poéticas de Cláudio Manuel da Costa, em 1768.Entre os autores árcades brasileiros destacam-se:



*na lírica: Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Silva Alvarenga;


*na épica: Basílio da Gama, Santa Rita Durão e Cláudio Manoel da Costa;


*na sátira: Tomás Antônio Gonzaga


*na encomiástica: Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto.
O Romantismo no Brasil
"Álvares de Azevedo" Amadeo Zani - escultura em bronze


O Romantismo nasce no Brasil poucos anos depois de nossa independência política (1822). Por isso, as primeiras obras literárias e os primeiros artistas românticos se mostram empenhados em definir um perfil da cultura brasileira em vários aspectos: a língua, a etnia, as tradições, o passado histórico, as diferenças regionais, a religião, etc. Assim, o nacionalismo se configura como o traço essencial da produção de nossos primeiros escritores românticos.


O Romantismo no Brasil é o movimento dos pensamentos e mudanças advindos da Revolução Industrial e Francesa ocorridos na Europa. A burguesia ganhava poder e uma nova classe surgia, a dos proletariados. No Brasil, a repercussão destas revoluções é a luta e conquista da independência.Já na literatura observa-se uma introspecção frente à realidade, pois na fase romântica a literatura passa a refletir e observar o homem no seu aspecto subjetivo: as emoções, as condições do estado de alma, os sentimentos de amor e saudade, além disso, valoriza as características nacionais na figura do índio.Além da fuga da realidade ou "escapismo", do nacionalismo e do subjetivismo, o romantismo apresenta as seguintes características: liberdade de expressão e produção, individualismo, pessimismo, medievalismo e crítica social.A publicação de "Suspiros poéticos e saudades", em 1836, do autor Gonçalves de Magalhães é o marco inicial do Romantismo brasileiro. No entanto, o responsável pela consolidação da literatura romântica no Brasil é Gonçalves Dias.O Romantismo brasileiro pode ser dividido em três gerações distintas:


• Primeira geração

Geração cujo tema é a valorização da natureza e da figura do índio. A temática desta fase é o indianismo e tem como principal autor Gonçalves Dias.Quanto à prosa, José de Alencar se encaixa na primeira geração em função de seus romances indianistas.


• Segunda geração

Geração do chamado "Ultra-Romantismo", o qual é justificado pelo exagero na exposição dos sentimentos, na sua maioria, pessimistas (tédio, morte). O poeta Álvares de Azevedo é reconhecidamente o poeta mais dramático desta geração poética.


• Terceira geração

Geração que apresenta tendências do Realismo, por introduzir uma literatura mais voltada para os problemas regionais, políticos e sociais. O romance regionalista de mais repercussão é "Inocência" e tem como autor Visconde de Taunay.

Os principais autores do Romantismo brasileiro são:

Na poesia: Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Castro Alves.
Na prosa: Joaquim Manuel Macedo, José de Alencar, Visconde de Taunay.
O Realismo, Naturalismo e Parnasianismo no Brasil



REALISMO














Museu da Língua PortuguesaExposição Machado de Assis


Na segunda metade do século XIX, surge um dos mais importantes escritores de nossa literatura: Machado de Assis. Dotado de uma capacidadde técnica incomum, Machado inova o romance enquanto gênero e apura as técnicas do conto e da crônica. Como poucos, penetra a alma humana com excepcional agudeza, a ponto de sua obra, ainda hoje, ser referência e modelo para vários escritores.





O Realismo no Brasil tem como marco inicial a obra Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis.O Brasil, durante o período de passagem do Romantismo para o Realismo, sofreu inúmeras mudanças na história econômica, política e social.O Realismo encontrou no Brasil uma realidade propícia para a ascensão da literatura, já que escritores como Castro Alves e José de Alencar haviam preparado o terreno.
O país havia vivenciado fatos importantes como a Guerra do Paraguai (1864 – 1870), a campanha abolicionista, o fortalecimento da economia agrária.A queda da escravidão e do Império criou uma nova realidade no país; a vida social e cultural tornou-se mais ativa, ambas influenciadas por ideais europeus: liberalismo, socialismo, positivismo, cientificismo, etc.
É nesse contexto que surge um dos mais importantes escritores de nossa literatura: Machado de Assis (1839 – 1908).Machado de Assis nasceu na cidade do Rio de Janeiro, era mestiço e de origem humilde. Cresceu sob os cuidados da madrasta Maria Inês, pois assim como a mãe, a portuguesa Maria Leopoldina, seu pai, o mulato Francisco José de Assis, morreu cedo.
Apesar de ter freqüentado escola pública e começado a trabalhar desde cedo, alcançou boa posição como funcionário público, cargo que lhe proporcionou tranqüilidade financeira. Casado com Carolina Xavier de Novais, Machado de Assis dedicou-se à literatura e produziu a melhor prosa brasileira do século XIX.
O escritor compôs cerca de duzentos contos.Os romances e contos anteriores à década de 1880 revelam influências românticas, assim como Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), Contos Fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1873).Machado revela-se mais maduro a partir da publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881); essa marca a segunda etapa de sua produção. O escritor desenvolve uma ironia feroz, retrata um humor velado e amargo em relação àquilo que retrata.Nessa nova fase incluem-se os romances Quincas Borba (1891), Dom Casmurro ( 1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908).

Entre seus inúmeros contos estão: "O alienista", "A cartomante", "Missa do galo", "Uns braços", "O espelho", "Cantiga de esponsais", "Teoria do medalhão", "A causa secreta".Machado de Assis produziu uma obra inovadora, que vem conquistando consecutivas gerações de leitores.
Naturalismo
O Naturalismo, assim como o Realismo, volta-se para o retrato objetivo da realidade. Entretanto, observa-a, documenta-a, analisa-a, disseca-a sob uma ótica rigorosamente científica. Os escritores naturalistas, valendo-se de tema sinovadores, mostram a decadência das instituições, denunciam a hipocrisia social, falam da fragilidade do indivíduo perante as forças da hereditariedade e do meio e vêem as lutas sociais com simpatia.


O Naturalismo surgiu na França, na segunda metade do século XIX, retrata o homem como o produto de forças "naturais", instintivas que comporta conforme o meio, o momento e situações específicas.O elemento fisiológico, natural e instintivo predomina, assim como o erotismo, a violência e a agressividade são apresentadas como características naturais do homem.A literatura naturalista tem caráter reformista, uma vez que seus escritores passaram a analisar o comportamento humano e social, de maneira que eram capazes de apontar saídas e soluções.A obra que marca o início do Naturalismo brasileiro é O Mulato (1881), de Aluísio Azevedo.No Brasil, a prosa naturalista foi influenciada por Eça de Queirós, com as obras O crime do padre Amaro e O primo Basílio (ambos da década de 1870).Todos os assuntos ligados ao homem, desde os mais bestiais até os mais repulsivos, foram introduzidos pelo Naturalismo, dessa forma as camadas desfavorecidas d sociedade ganharam voz.São características da linguagem naturalista:- determinismo: o homem é visto como produto do meio, privado de livre-arbítrio, à mercê de forças incontroláveis.- preferência por temas de patologia social: tratavam da influência dos vícios, das taras, das doenças na formação do caráter do indivíduo.- objetivismo científico e impessoalidade: o Naturalismo se apegou somente à precisão das teorias coentíficas, e atentou-se somente aos fatos.- literatura engajada: o Naturalismo apresenta intenção realista de reformar a sociedade.Aluísio Azevedo – senso coletivoAluísio Azevedo se consagrou como escritor naturalista com a publicação de O mulato (1881). Foi o primeiro escritor que se profissionalizou, viveu do que produzia. O que é novo em Aluísio é a percepção do coletivo: multidão, massa, o povo nas ruas, nas praças, nos becos, nos cortiços.O autor reflete o processo de transformação e econômica pelo qual passava o Brasil, momento no qual os centros urbanos cresciam, abrigando todo tipo de gente, que iam às cidades à procura de trabalho.O apogeu foi alcançado pelo Naturalismo com o romance O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, que destaca o jogo dos fatores sociais.Em 1890, também foi lançado A fome, de Rodolfo Teófilo, O missionário, de Inglês de Sousa, seguido de A normalista (1892) e O Bom crioulo (1895), ambos de Adolfo Caminha.
PARNASIANISMO



PROFISSÃO DE FÉ
Olavo Bilac




Le poète est cise1eur,

Le ciseleur est poète.

Victor Hugo.



Não quero o Zeus Capitolino

Hercúleo e belo,


Talhar no mármore divino



Com o camartelo.




Que outro - não eu! - a pedra corte



Para, brutal,



Erguer de Atene o altivo porte



Descomunal.




Mais que esse vulto extraordinário,



Que assombra a vista,



Seduz-me um leve relicário



De fino artista.




Invejo o ourives quando escrevo:



Imito o amor



Com que ele, em ouro, o alto relevo



Faz de uma flor.




Imito-o. E, pois, nem de Carrara



A pedra firo:



O alvo cristal, a pedra rara,



O ônix prefiro.




Por isso, corre, por servir-me,



Sobre o papel



A pena, como em prata firme



Corre o cinzel.




Corre; desenha, enfeita a imagem,



A idéia veste:



Cinge-lhe ao corpo a ampla roupagem



Azul-celeste.




Torce, aprimora, alteia, lima



A frase; e, enfim,



No verso de ouro engasta a rima,



Como um rubim.




Quero que a estrofe cristalina,



Dobrada ao jeito



Do ourives, saia da oficina



Sem um defeito:




E que o lavor do verso, acaso,



Por tão subtil,



Possa o lavor lembrar



de um vaso De Becerril.




E horas sem conto passo, mudo,



O olhar atento,



A trabalhar, longe de tudo



O pensamento.




Porque o escrever - tanta perícia,



Tanta requer,



Que oficio tal... nem há notícia



De outro qualquer.




Assim procedo. Minha pena



Segue esta norma,



Por te servir, Deusa serena,



Serena Forma!




Deusa! A onda vil, que se avoluma



De um torvo mar,



Deixa-a crescer; e o lodo e a espuma



Deixa-a rolar!




Blasfemo> em grita surda e horrendo



Ímpeto, o bando



Venha dos bárbaros crescendo,



Vociferando...




Deixa-o: que venha e uivando passe-



Bando feroz!



Não se te mude a cor da face



E o tom da voz!




Olha-os somente, armada e pronta,



Radiante e bela:



E, ao braço o escudo> a raiva afronta



Dessa procela!




Este que à frente vem, e o todo



Possui minaz



De um vândalo ou de um visigodo,



Cruel e audaz;




Este, que, de entre os mais, o vulto



Ferrenho alteia,



E, em jato, expele o amargo insulto Que te enlameia:




É em vão que as forças cansa, e â luta



Se atira; é em vão



Que brande no ar a maça bruta



A bruta mão.




Não morrerás, Deusa sublime!



Do trono egrégio



Assistirás intacta ao crime



Do sacrilégio.




E, se morreres por ventura,



Possa eu morrer



Contigo, e a mesma noite escura



Nos envolver!




Ah! ver por terra, profanada,



A ara partida



E a Arte imortal aos pés calcada,



Prostituída!...




Ver derribar do eterno sólio



O Belo, e o som



Ouvir da queda do Acropólio,



Do Partenon!...




Sem sacerdote, a Crença morta



Sentir, e o susto



Ver, e o extermínio, entrando a porta



Do templo augusto!...




Ver esta língua, que cultivo,



Sem ouropéis,



Mirrada ao hálito nocivo



Dos infiéis!...




Não! Morra tudo que me é caro,



Fique eu sozinho!



Que não encontre um só amparo



Em meu caminho!




Que a minha dor nem a um amigo



Inspire dó...



Mas, ah! que eu fique só contigo,



Contigo só!




Vive! que eu viverei servindo



Teu culto, e, obscuro,



Tuas custódias esculpindo



No ouro mais puro.




Celebrarei o teu oficio



No altar: porém,



Se inda é pequeno o sacrifício,



Morra eu também!



eu também, sem esperança,



Porém tranqüilo,I



nda, ao cair, vibrando a lança,



Em prol do Estilo!










Fonte: www.biblio.com.br








Diferentemente do Realismo e do Naturalismo, que se voltavam para o exame e para a crítica da realidade, o Parnasianismo representou na poesia um retorno ao clássico, com todos os seus ingredientes: o princípio do belo na arte, a busca do equilibrio e da perfeição formal. Os parnasianos acreditavam que o sentido maior da arte reside nela mesma, em sua perfeição, e não em sua relação com o mundo exterior.

O movimento parnasiano teve grande importância no Brasil, não apenas pelo elevado número de poetas, mas também pela extensão de sua influência. Seus princípios doutrinários dominaram por muito tempo a vida literária do país. Na década de 1870, a poesia romântica deu mostras de cansaço, e mesmo em Castro Alves é possível apontar elementos precursores de uma poesia realista. Assim, entre 1870 e 1880 assistiu-se no Brasil à liquidação do romantismo, submetido a uma crítica severa por parte das gerações emergentes, insatisfeitas com sua estética e em busca de novas formas de arte, inspiradas nos ideais positivistas e realistas do momento.
Dessa maneira, a década de 1880 abriu-se para a poesia científica, a socialista e a realista, primeiras manifestações da reforma que acabou por se canalizar para o parnasianismo. As influências iniciais foram Gonçalves Crespo e Artur de Oliveira, este o principal propagandista do movimento a partir de 1877, quando chegou de uma estada em Paris. O parnasianismo surgiu timidamente no Brasil nos versos de Luís Guimarães Júnior (1880; Sonetos e rimas) e Teófilo Dias (1882; Fanfarras), e firmou-se definitivamente com Raimundo Correia (1883; Sinfonias), Alberto de Oliveira (Meridionais) e Olavo Bilac (1888; Poesias).
O parnasianismo brasileiro, a despeito da grande influência que recebeu do parnasianismo francês, não é uma exata reprodução dele, pois não obedece à mesma preocupação de objetividade, de cientificismo e de descrições realistas. Foge do sentimentalismo romântico, mas não exclui o subjetivismo.
Sua preferência dominante é pelo verso alexandrino de tipo francês, com rimas ricas, e pelas formas fixas, em especial o soneto. Quanto ao assunto, caracteriza-se pelo realismo, o universalismo e o esteticismo. Este último exige uma forma perfeita quanto à construção e à sintaxe. Os poetas parnasianos vêem o homem preso à matéria, sem possibilidade de libertar-se do determinismo, e tendem então para o pessimismo ou para o sensualismo.
Além de Alberto de Oliveira, Raimundo Correia e Olavo Bilac, que configuraram a trindade parnasiana, o movimento teve outros grandes poetas no Brasil, como Vicente de Carvalho, Machado de Assis, Luís Delfino, Bernardino da Costa Lopes, Francisca Júlia, Guimarães Passos, Carlos Magalhães de Azeredo, Goulart de Andrade, Artur Azevedo, Adelino Fontoura, Emílio de Meneses, Augusto de Lima e Luís Murat.
A partir de 1890, o simbolismo começou a superar o parnasianismo. O realismo classicizante do parnasianismo teve grande aceitação no Brasil, graças certamente à facilidade oferecida por sua poética, mais de técnica e forma que de inspiração e essência. Assim, ele foi muito além de seus limites cronológicos e se manteve paralelo ao simbolismo e mesmo ao modernismo.
O prestígio dos poetas parnasianos, ao final do século XIX, fez de seu movimento a escola oficial das letras no país durante muito tempo. Os próprios poetas simbolistas foram excluídos da Academia Brasileira de Letras, quando esta se constituiu, em 1896. Em contato com o simbolismo, o parnasianismo deu lugar, nas duas primeiras décadas do século XX, a uma poesia sincretista e de transição.
Simbolismo no Brasil




























Ao contrário do que ocorreu na Europa, onde o Simbolismo se sobrepôs ao Parnasianismo, no Brasil o movimento simbolista foi quase inteiramente bafado pelo movimento parnasiano, que gozou de amplo prestígio entre as camadas cultas da sociedade, até as primeiras décadas do século XX. A pesar disso, a produção simbolista deixou contribuições significativas, preparando terreno para as grandes inovações que iriam ocorrer no século XX, no domínio da poesia.

No início da década de 1890, no Rio de Janeiro, um grupo de jovens, insatisfeitos com a extrema objetividade e materialismo da corrente literária dominante (Realismo / Naturalismo / Parnasianismo), resolve divulgar as novas idéias estéticas vindas da França. Eram conhecidos como os decadentistas. Esse grupo formado, principalmente, por Oscar Rosas, Cruz e Sousa e Emiliano Perneta lança no jornal Folha Popular o primeiro manifesto renovador.Além desse grupo do Rio de Janeiro, outros jovens, no Ceará, funda uma sociedade literária, dedicada ao culto das excentricidades da nova arte chamada Padaria Espiritual.O Simbolismo, no Brasil, representa uma das épocas mais importantes de nossa história literária e cultural. Este movimento penetrou em nosso país, por intermédio de Medeiros e Albuquerque, que, desde 1891, recebia livros dos decadentistas franceses.Em 1893, Cruz e Sousa publica Missal e Broquéis, obras que definem a história do Simbolismo brasileiro.Entre as últimas décadas do século XIX e princípios do século XX, os simbolistas conviveram num período em que o Brasil procurava conquistar sua maturidade mental e sua autonomia. Mesmo depois da independência de 1822, a Metrópole ainda continuava a exercer a sua ação colonialista. O comércio, as transações bancárias, a imprensa estavam sob o influxo da Metrópole. A primeira tentativa de autonomia deu-se com a Regência (1830-1841), mas só foi com a Proclamação da República que o Brasil separou-se definitivamente de Portugal. Esse fato levou os homens de letras do século XIX a explorar o tema do nacionalismo. A busca de "símbolos que traduzam a nossa vida social", afirma Araripe Júnior.O início do movimento simbolista brasileiro é marcado por conflitos no sul do país (1893-1895): A Revolução Federalista, a Revolta da Armada.Características da poesia simbolista.


Vejamos mais detalhadamente algumas características do Simbolismo:



a) O poeta simbolista volta-se para o mundo interior; guia-se pela subjetividade (característica da corrente romântica). O egocentrismo é um princípio fundamental do Romantismo. Enquanto os românticos pesquisavam o interior das pessoas, suas lutas, incertezas, num campo puramente sentimental, o simbolista penetra fundo no mundo invisível e impalpável do ser humano.


b) A poesia simbolista expressa o que há de mais profundo no poeta; por isso, ele se vale de adjetivos que despertem emoções vagas, sugestivas.


c) A descrição é essencialmente subjetiva; é uma espécie de pretexto para identificar o poeta com o íntimo das coisas.


d) Os versos são musicais, sonoros e expressivos. A poesia é separada da vida social, confunde-se com a música, explora o inconsciente através de símbolos e sugestões e dá preferência ao mundo invisível.


e) A linguagem é evocadora, plena de elementos sensoriais: som, luz, cor, formas; há o emprego de palavras raras; o vocabulário é litúrgico, obscuro, vago.


f) As palavras vêm ligadas ao tema da morte.


g) Emprego freqüente de metáforas, analogias sensoriais, sinestesias, aliterações repetição de palavras e de versos – tudo isso confere à poesia musicalidade e poder de sugestão.


h) Fusão da música, pintura e literatura.
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O Modernismo no Brasil


















Abaporu, homem que come carne humana, em tupi-guarani.Tarsila do Amaral, 1928, óleo sobre a tela.Pintado por Tarsila para presentear Oswald de Andrade, seu marido na época.A tela brasileira mais valorizada. US$ 1,3 milhão, pago por um argentino.Inspirou Oswald de Andrade a escreve o Manifesto Antropófago e criar o Movimento Antropofágico, a fim de 'comer' a cultura européia, pegar o que era bom e transformar numa cultura brasileira, assim como faziam os índios com os bons guerreiros das tribos rivais, comiam a fim de absorver os poderes de tal guerreiro.Por isso o nome em tupi-guarani.

Embora as primeiras manifestações modernistas já viessem surgindo em São Paulo desde 1911, é somente na década de 1920, principalmente a partir da Semana de Arte Moderna (1922), que o Modernismo se difunde e se solicita em nosso país. O debate em torno das questões estéticas aos poucos ganha caráter ideológico, o que prenuncia a literatura de fundo político da década de 1930.

O modernismo brasileiro foi um amplo movimento cultural que repercutiu fortemente sobre a cena artística e a sociedade brasileira na primeira metade do século XX, sobretudo no campo da literatura e das artes plásticas.
Comparado a outros movimentos modernistas, o brasileiro foi desencadeado tardiamente, na década de 1920. Este foi resultado, em grande parte, da assimilação de tendências culturais e artísticas lançadas pelas vanguardas européias no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, tendo como exemplo do Cubismo e do Futurismo, refletindo, então, na procura da abolição de todas as regras anteriores e a procura da novidade e da velocidade. Contudo, pode-se dizer que a assimilação dessas idéias européias deu-se de forma seletiva, rearranjando elementos artísticos de modo a ajustá-los às singularidades culturais brasileiras.
Considera-se a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em 1922, como ponto de partida do modernismo no Brasil. Porém, nem todos os participantes desse evento eram modernistas: Graça Aranha, um pré-modernista, por exemplo, foi um dos oradores. Não sendo dominante desde o início, o modernismo, com o tempo, suplantou os anteriores. Foi marcado, sobretudo, pela liberdade de estilo e aproximação com a linguagem falada, sendo os da primeira fase mais radicais em relação a esse marco.
Didaticamente, divide-se o Modernismo em três fases: a primeira fase, mais radical e fortemente oposta a tudo que foi anterior, cheia de irreverência e escândalo; uma segunda mais amena, que formou grandes romancistas e poetas; e uma terceira, também chamada Pós-Modernismo por vários autores, que se opunha de certo modo a primeira e era por isso ridicularizada com o apelido de neoparnasianismo.
Eis alguns dos principais acontecimentos que precederam e prepararam o espírito da Semana:

1911- Oswald de Andrade e Emílio de Menezes fundam a revista de artes O Pirralho. Participa da revista o engenheiro Alexandre Marcondes Machado (Juó Bananére), que satirizava nomes consagrados da poesia brasileira.
1912- Oswald de Andrade volta da Europa trazendo a novidade do verso livre, influência do futurismo italiano e da poesia de Paul Fort.
1913- O pintor russo Lasar Segall, posteriormente naturalizado brasileiro, faz uma exposição de pintura expressionista, sem grande repercussão.
1914- A pintora Anita Malftti regressa da Europa, onde desde 1912 estudava pintura expressionista, e faz uma exposição na Casa Mappin, sem maior destaque. Em 1915 a pintora parte para Nova Iorque.
1915- Ronald de Carvalho (futuro participante da Semana de arte Moderna) e o poeta português Luís de Montalvor participam da revista luso brasileira Orpheu, marco inicial do Modernismo em Portugal. Nesse mesmo ano, Olavo Bilac, o mais famoso poeta brasileiro da época, declama em São Paulo alguns de seus últimos poemas. O acontecimento teve largo destaque na imprensa. Juó Bananére ( italianização de João Bananeiro, apelido muito popular na época), com muitas ironias, também comenta o fato na revista O Pirralho e ali mesmo publica a paródia que fez do soneto ‘Ouvir estrelas’.



O bananal, de Lasar Segall, pintor expressionista
europeu que desenvolveu uma ampla carreira a partir
de motivos ligados à nossa terra. O rico acervo do pintor
encontra- se no Museu Lasar Segall, em São Paulo.
Primeira geração (1922-1930)






















Cartaz anunciando o último dia da Semana de Arte Moderna

A Primeira Fase do Modernismo foi caracterizada pela tentativa de definir e marcar posições, sendo ela rica em manifestos e revistas de circulação efêmera.
Havia a busca pelo moderno, original e polêmico, com o nacionalismo em suas múltiplas facetas. A volta das origens, através da valorização do indígena e a língua falada pelo povo, também foram abordados. Contudo, o nacionalismo foi empregado de duas formas distintas: a crítica, alinhado a esquerda política através da denúncia da realidade, e a ufanista, exagerado e de extrema direita. Devido à necessidade de definições e de rompimento com todas as estruturas do passado foi a fase mais radical, assumindo um caráter anárquico e destruidor.
Um mês depois da Semana de Arte Moderna, o Brasil vivia dois momentos de grande importância política: as eleições presidenciais e o congresso de fundação do Partido Comunista em Niterói. Em 1926, surge o Partido Democrático, sendo Mário de Andrade um de seus fundadores.


Autores:
· Antônio de Alcântara Machado (1901-1935)>
· Cassiano Ricardo(1895-1974)

· Guilherme de Almeida (1890-1969)

· Juó Bananére (1892-1933)

· Manuel Bandeira (1886-1968)

· Mário de Andrade (1893-1945)

· Menotti del Picchia (1892-1988)

· Oswald de Andrade (1890-1953)


· Plínio Salgado (1895-1975)

· Raul Bopp (1898-1984)

· Ronald de Carvalho (1893-1935)

Manifestos e revistas

Revista Klaxon — Mensário de Arte Moderna (1922-1923)































Capa da Revista Klaxon
Recebe este nome do termo usado para designar a buzina externa dos automóveis. Primeiro periódico modernista, é conseqüência das agitações em torno da Semana de Arte Moderna. Inovadora em todos os sentidos: gráfico, existência de publicidade, oposição entre o velho e o novo.

Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924-1925)

Escrito por Oswald e publicado inicialmente no Correio da Manhã. Em 1925, é republicado como abertura do livro de poesias Pau-Brasil, de Oswald. Apresenta uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.
Importante veículo responsável pela divulgação dos ideais modernistas em Minas Gerais, apesar da vida breve. Teve apenas três números e contava com Drummond como um de seus redatores, sendo fundada por ele depois de sua mudança para a capital mineira e sua colaboração como cronista em Jornal de Minas. Nela fora publicado Amar, verbo intransitivo (de Mário de Andrade) e Poética (de Manoel Bandeira), além de uma conferência proferida por Freud nos Estados Unidos da América.
A Revista, segundo o autor, era uma obra de refinamento interior, que deveria ser veiculada pelos meios pacíficos do jornal, tribuna e da cátedra, sendo isso o que nos faz democrataVerde-Amarelismo ou Escola da Anta (1926-1929)
Grupo formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo em resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil, criticando-se o "nacionalismo afrancesado" de Oswald. Sua proposta era de um nacionalismo primitivista, ufanista, identificado com o fascismo, evoluindo para o Integralismo. Idolatria do tupi e a anta é eleita símbolo nacional. Em maio de 1929, o grupo verde-amarelista publica o manifesto "Nhengaçu Verde-Amarelo — Manifesto do Verde-Amarelismo ou da Escola da Anta".


Manifesto Regionalista de 1926

1925 e 1930 é um período marcado pela difusão do Modernismo pelos estados brasileiros. Nesse sentido, o Centro Regionalista do Nordeste (Recife) busca desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste nos novos moldes modernistas. Propõem trabalhar em favor dos interesses da região, além de promover conferências, exposições de arte, congressos etc. Para tanto, editaram uma revista. Vale ressaltar que o regionalismo nordestino conta com Graciliano Ramos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e João Cabral, na 2ª fase modernista em 1926.

Revista Antropofagia (1928-1929)


É a nova etapa do Pau-Brasil, sendo resposta a Escola da Anta. Seu nome origina-se da tela Abaporu (O que come) de Tarsila do Amaral.
O Antropofagismo foi caracterizado pela assimilação ("deglutição") crítica das vanguardas e culturas européias, com o fim de recriá-las, tendo em vista o redescobrimento do Brasil em sua autenticidade primitiva. Contou com duas fases, sendo a primeira com dez números (1928 – 1929), sob direção de Antônio Alcântara Machado e gerência de Raul Bopp, e a segunda publicada semanalmente em 16 números no jornal Diário de São Paulo em 1929, tendo como secretário Geraldo Ferraz.

Primeira Fase

Iniciado pelo polêmico manifesto de Oswald, conta com Alcântara Machado, Mário de Andrade (com a publicação de um capítulo de Macunaíma em seu 2º número), Carlos Drummond (3º número, publicou a poesia No meio do caminho); além de desenhos de Tarsila, artigos em favor da língua tupi de Plínio Salgado e poesias de Guilherme de Almeida.

Segunda Fase

Mais definida ideologicamente, foi iniciada pela ruptura dos Andrades. Nesta fase, há a participação de Oswald, Bopp, Geraldo Ferraz, Oswaldo Costa, Tarsila, Patrícia Galvão Pagu. Os alvos das críticas são Mário de Andrade, Alcântara Machado, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia e Plínio Salgado.


Outras revistas
· Revista Verde de Cataguazes (MG - 1927-1928)

· Revista Estética (RJ - 1924)

· Revista Terra Roxa e outras Terras (SP - 1926, colaborador Mário de Andrade)

· Revista Festa (RJ - 1927, Cecília Meireles como colaboradora)
Segunda geração (1930-1945)



palavra mágica


Certa palavra dorme na sombra

de um livro raro.

Como desencantá-la?É a senha da vida

a senha do mundo.

Vou procurá-la.


Vou procurá-la a vida inteira

no mundo todo.

Se tarda o encontro, se não a encontro,

não desanimo,

procuro sempre.


Procuro sempre,

e minha procura

ficará sendominha palavra.


Carlos Drummond de Andrade



Estendendo-se de 1930 a 1945, a segunda fase foi rica na produção poética e, também, na prosa. O universo temático amplia-se com a preocupação dos artistas com o destino do Homem e no estar-no-mundo. Ao contrário da sua antecessora, foi construtiva.
Não sendo uma sucessão brusca, a poesia da geração de 22 e 30 foram contemporâneas. A maioria dos poetas de 30 absorveram experiências de 22, como a liberdade temática, o gosto da expressão atualizada ou inventiva, o verso livre e o antiacademicismo. Portanto, ela não precisou ser tão combativa quanto a de 22, devido ao encontramento de uma linguagem poética modernista já estruturada. Passara, então, a aprimorá-la, prosseguindo a tarefa de purificação de meios e formas direcionando e ampliando a temática da inquietação filosófica e religiosa, com Vinícius de Moraes, Jorge de Lima, Augusto Frederico Schmidt, Murilo Mendes, Carlos Drummond de Andrade.
A prosa, por sua vez, alargava a sua área de interesse ao incluir preocupações novas de ordem política, social, econômica, humana e espiritual. A piada foi sucedida pela gravidade de espírito, a seriedade da alma, propósitos e meios. Essa geração foi grave, assumindo uma postura séria em relação ao mundo, cujas dores, considerava-se responsável. Também caracterizou o romance dessa época, o encontro do autor com seu povo, havendo uma busca do homem brasileiro em diversas regiões, tornando o regionalismo importante. A Bagaceira, de José Américo de Almeida, foi o primeiro romance nordestino.
O humor quase piadístico de Drummond receberia influências de Mário e Oswald de Andrade. Vinícius, Cecília, Jorge de Lima e Murilo Mendes apresentaram certo espiritualismo que vinha do livro de Mário Há uma gota de Sangue em cada Poema (1917).



Autores

Na poesia

*Augusto Frederico Schmidt (1906-1965)




*Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)





*Cecília Meireles (1901-1964)





*Jorge de Lima (1895-1953)

















*Murilo Mendes (1901-1975)




*Vinícius de Moraes(1913-1980)










*Álvaro Lins (1912-1970)

*Cornélio Pena (1896-1958)

*Cyro dos Anjos (1906-1994)








*Érico Veríssimo (1905-1975)

*Graciliano Ramos (1892-1953)










*Herberto Sales (1917-1999)

*Jorge Amado (1912-2001)










*José Américo de Almeida(1887-1957)

*José Geraldo Vieira (1897-1977)











*José Lins do Rego (1901-1957)

*Lúcio Cardoso(1913-1968)
*Marques Rebelo (1907-1973)

*Octávio de Faria(1908-1980)









*Patrícia Galvão (1910-1962)




*Rachel de Queiroz (1910-2003)