novembro 29, 2009

Apresentação






As origens da literatura brasileira



A literatura brasileira, em suas primeiras manifestações, prende-se aos modelos literários trazidos pelos colonizadores portugueses.Esses modelos formaram-se em Portugal entre os séculos XII e XVI, ou seja, durante a Baixa Idade Média e o Renascimento.





As primeiras manifestações da literatura brasileira ocorreram durante o período colonial, de 1500 a 1822. Evidentemente, essa produção foi fortemente marcada pelas influências da cultura e da literatura portuguesa, uma vez que nossos escritores ou eram portugueses de nascimento ou brasileiros com formação universitária em Portugal.Por essa razão, antes de estudar as obras e autores nacionais, convém conhecer, de forma panorâmica, os momentos mais significativos da literatura portuguesa até o século XVI que servirão de referência aos escritores brasileiros.


literatura de cordel:

Produção literária, muito vulgar em Portugal e no Brasil, de características populares. Deve o nome ao facto de as publicações, impressas em papel de fraca qualidade, sob a forma de folhetos, estarem expostas para venda penduradas em cordéis.

Os textos podiam ser em verso ou prosa, não sendo invulgar tratar-se de peças de teatro, e versavam os mais variados temas. Encontram-se farsas, historietas, contos fantásticos, escritos de fundo histórico, moralizantes, etc., não só de autores anónimos, mas também daqueles que, assim, viram a sua obra vendida a preço baixo e divulgada entre o povo, como Gil Vicente e António José da Silva, o Judeu. Exemplos conhecidos de literatura de cordel são História de Carlos Magno e dos Doze Pares de França, A Princesa Magalona, História de João de Calais e A Donzela Teodora. Algumas tinham origem espanhola, francesa ou italiana, sendo depois adaptadas ao gosto português.

A literatura de cordel teve sucesso, em Portugal, entre os séculos XVI e XVIII.

Trovadorismo

































A época do trovadorismo abrange as origens da Língua Portuguesa, a língua galaico-portuguesa (o português arcaico) que compreende o período de 1189 a 1418. Portugal ocupava-se com as Cruzadas, a luta contra os mouros, e estava marcado pelo teocentrismo (universo centrado em Deus, a vida estava voltada para os valores espirituais e a salvação da alma) e pelo sistema feudal (sistema econômico e político, entre senhores e vassalos ou servos), já enfraquecido, em fase de decadência. Quando finalmente a guerra chega ao fim, começam manifestações sociais de período de paz, entre elas a literatura, e em torno dos castelos feudais também desenvolveu-se um tipo de literatura que redimensiona a visão do mundo medieval e aponta para novos caminhos, essa manifestação literária é o Trovadorismo.Os poetas e cronistas dessa época eram chamados de trovadores, pois no norte da França, o poeta recebia o apelativo trouvère (em Português: trovador), cujo radical é: trouver (achar), dizia-se que os poetas "achavam" sua canção e a cantavam acompanhados de instrumentos como a cítara, a viola, a lira ou a harpa. Os poemas produzidos nessa época eram feitos para serem cantados por poetas e músicos. Os trovadores tinham grande liberdade de expressão, entravam em questões políticas e exerceram destacado papel social. O primeiro texto escrito em português foi criado no século XII (1189 ou 1198) era a "Cantiga da Ribeirinha", do poeta Paio Soares de Taveirós, dedicada a D. Maria Paes Ribeiro, a Ribeirinha. As poesias trovadorescas estão reunidas em cancioneiros ou Livros de canções, são três os cancioneiros: Cancioneiro da Ajuda, Cancioneiro da Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa (Colocci-Brancuti), além de um quarto livro de cantigas dedicadas à Virgem Maria pelo rei Afonso X, o Sábio. Surgiram também os textos em prosa de cronistas como Rui de Pina, Fernão Lopes e Eanes de Azuraram e as novelas de cavalaria, como A Demanda do Santo Graal.


Tipos de Cantiga.

Os primórdios da literatura galaico-portuguesa foram marcados pelas composições líricas destinadas ao canto.Essas cantigas dividiam-se em dois tipos:>Refrão, caracterizadas por um estribilho repetido no final de cada estrofe,Mestria, que era mais trabalhada, sem algo repetitivo.
Essas eram divididas em temas, que eram: Cantigas de Amor, Amigo e de Escárnio e Maldizer.
Mas com o surgimento dos textos em prosa e novelas de cavalaria, houve uma nova "classificação", que deixou dividido em:Lírico Amorosa, subdividida em: cantiga de amor e cantiga de amigo.Satírica, de escárnio e maldizer.


Temas

Cantiga de Amor


Quem fala no poema é um homem, que se dirige a uma mulher da nobreza, geralmente casada, o amor se torna tema central do texto poético. Esse amor se torna impraticável pela situação da mulher. Segundo o homem, sua amada seria a perfeição e incomparável a nenhuma outra. O homem sofre interiormente, coloca-se em posição de servo da mulher amada. Ele cultiva esse amor em segredo, sem revelar o nome da dama, já que o homem é proibido de falar diretamente sobre seus sentimentos por ela (de acordo com as regras do amor cortês), que nem sabe dos sentimentos amorosos do trovador. Nesse tipo de cantiga há presença de refrão que insiste na idéia central, o enamorado não acha palavras muito variadas, tão intenso e maciço é o sofrimento que o tortura.
São cantigas que espelham a vida na corte através de forte abstração e linguagem refinada.

Cantiga de Amigo

O trovador coloca como personagem central uma mulher da classe popular, procurando expressar o sentimento feminino através de tristes situações da vida amorosa das donzelas. Pela boca do trovador, ela canta a ausência do amigo (amado ou namorado) e desabafa o desgosto de amar e ser abandonada, em razão da guerra ou de outra mulher. Nesse tipo de poema, a moça conversa e desabafa seus sentimentos de amor com a mãe, as amigas, as árvores, as fontes, o mar, os rios, etc. É de caráter narrativo e descritivo e constituem um vivo retrato da vida campestre e do cotidiano das aldeias medievais na região.


Cantigas de escárnio e de maldizer

Esse tipo de cantiga procurava ridicularizar pessoas e costumes da época com produção satírica e maliciosa.As cantigas de escárnio são críticas, utilizando de sarcasmo e ironia, feitas de modo indireto, algumas usam palavras de duplo sentido, para que, não entenda-se o sentido real.As de maldizer, utilizam uma linguagem mais vulgar, referindo-se diretamente a suas personagens, com agressividade e com duras palavras, que querem dizer mal e não haverá outro modo de interpretar.Os temas centrais destas cantigas são as disputas políticas, as questões e ironias que os trovadores se lançam mutuamente.As novelas de cavalaria - Surgiram derivadas de canções de gesta e de poemas épicos medievais. Refletiam os ideais da nobreza feudal: o espírito cavalheiresco, a fidelidade, a coragem, o amor servil, mas estavam também impregnadas de elementos da mitologia céltica.
A história mais conhecida é A Demanda do Santo Graal, a qual reúne dois elementos fundamentais da Idade Média quando coloca a Cavalaria a serviço da Religiosidade. Outras novelas que também merecem destaque são "José de Arimatéia" e "Amadis de Gaula".Autores (Trovadores)Os mais conhecidos trovadores foram: João Soares de Paiva, Paio Soares de Taveirós, o rei D. Dinis, João Garcia de Guilhade, Afonso Sanches, João Zorro, Aires Nunes, Nuno Fernandes Torneol.Mas aqui falaremos apenas sobre alguns.Paio Soares TaveirósPaio Soares Taveiroos (ou Taveirós) era um trovador da primeira metade do século XIII. De origem nobre, é o autor da Cantiga de Amor A Ribeirinha, considerada a primeira obra em língua galaico-portuguesa.D. DinisDom Dinis, o Trovador, foi um rei importante para Portugal, sua lírica foi de 139 cantigas, a maioria de amor, apresentando alto domínio técnico e lirismo, tendo renovado a cultura numa época em que ela estava em decadência em terras ibéricas.
D. Afonso XD. Afonso X, o Sábio, foi rei de Leão e Castela. É considerado o grande renovador da cultura peninsular na segunda metade do século XIII. Acolheu na sua corte e trovadores, tendo ele próprio escrito um grande número de composições em galaico-português que ficaram conhecidas como Cantigas de Santa Maria. Promoveu, além da poesia, a historiografia, a astronomia e o direito, tendo elaborado a General Historia, a Crônica de España, Libro de los Juegos, Las Siete Partidas, Fuero Real, Libros del Saber de Astronomia, entre outras.D. DuarteD. Duarte foi o décimo primeiro rei de Portugal e o segundo da segunda dinastia. D. Duarte foi um rei dado às letras, tendo feito a tradução de autores latinos e italianos e organizando uma importante biblioteca particular.
Ele próprio nas suas obras mostra conhecimento dos autores latinos.Obras: Livro dos Conselhos; Leal Conselheiro; Livro da Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela.Fernão LopesFernão Lopes é considerado o maior historiógrafo de língua portuguesa, aliando a investigação à preocupação pela busca da verdade. D. Duarte concedeu-lhe uma tença anual para ele se dedicar à investigação da história do reino, devendo redigir uma Crônica Geral do Reino de Portugal. Correu a província a buscar informações, informações estas que depois lhe serviram para escrever as várias crônicas (Crônica de D. Pedro I, Crônica de D. Fernando, Crônica de D. João I, Crônica de Cinco Reis de Portugal e Crônicas dos Sete Primeiros Reis de Portugal).
Foi "guardador das escrituras" da Torre do Tombo.Frei João ÁlvaresFrei João Álvares a pedido do Infante D. Henrique, escreveu a Crônica do Infante Santo D. Fernando. Nomeado abade do mosteiro de Paço de Sousa, dedicou-se à tradução de algumas obras pias: Regra de São Bento, os Sermões aos Irmãos do Ermo atribuídos a Santo Agostinho e o livro I da Imitação de Cristo.Gomes Eanes de ZuraraGomes Eanes de Zurara, filho de João Eanes de Zurara. Teve a seu cargo a guarda da livraria real, obtendo em 1454 o cargo de "cronista-mor" da Torre do Tombo, sucedendo assim a Fernão Lopes. Das crônicas que escreveu destacam-se: Crônica da Tomada de Ceuta, Crônica do Conde D. Pedro de Meneses, Crônica do Conde D. Duarte de Meneses e Crônica do Descobrimento e Conquista de Guiné.

Algumas cantigas:


CANTIGA DE AMOR


No mundo non me sei parelha,
Mentre me for’como me vay
Ca já moiro por vos – e ay!
Mia senhor branca e vermelha,
Queredes que vos retraya
Quando vus eu vi em saya!
Mao dia me levantei,
Que vus enton non vi fea!
E, mia senhor, des aquel di’ ay!
Me foi a mi muyn mal,
E vos, filha de don Paay
Moniz, e bemvus semelha
D’aver eu por vos guarvaya
Pois eu, mia senhor d’alfaya
Nunca de vos ouve, nem ei
Valia d’ua correa.


CANTIGA DE AMIGO


- Ai flores, ai flores do verde pino,
Se sabedes novas do meu amigo?
Ai, Deus, e u é?
Ai flores, ai flores do verde ramo,
Se sabedes novas do meu amado?
Ai, Deus, e u é?
Se sabedes novas do meu amigo, Aquel que mentiu do que pôs comigo?
Ai, Deus, e u é?

CANTIGA DE ESCÁRNIO

Conheceis uma donzela>Por quem trovei e a que um dia
Chamei dona Berinjela?
Nunca tamanha porfia
Vi nem mais disparatada.
Agora que está casada
Chamam-lhe Dona Maria.
Algo me traz enojado,
Assim o céu me defenda:
Um que está a bom recato
(negra morte o surpreendae o Demônio cedo o tome!)
quis chamá-la pelo nomee chamou-lhe
Dona Ousenda.
Pois que se tem por formosa
Quanto mais achar-se pode,
Pela Virgem gloriosa!
Um homem que cheira a bode
E cedo morra na forca
Quando lhe cerrava a boca
Chamou-lhe Dona Gondrode.

O Barroco no Brasil























Igreja de Santo Antônio do CarmoPrimeira igreja da Ordem dos Carmelitas a ser construída em terras brasileiras, provavelmente, no período de 1580 à 1620.Olinda - PE.

Diferentemente do Barroco europeu, que se voltou principalmente às exigências do público aristocrático, o Barroco brasileiro nasce e se desenvolve em condições bastante diferentes, ganhando características próprias, como é o caso da poesia do baiano Gregório de Matos.

Século XVII. O Brasil presenciava o nascer de uma literatura própria, embora ainda frágil e presa aos modelos lusitanos, restrita a uma elite muito pequena e culta e ainda sem poder contar com um público consumidor ativo e influente. Mas começavam a despontar os primeiros escritores nascidos na colôniae, com eles, surgiam as primeiras manifestações do sentimento nativista, isto é, de valorização da terra natal.
O Barroco brasileiro surgiu nesse contexto.Não se via aqui o luxo e a pompa da aristocracia européia, que, como público consumidor , apreciava e estimulava o refinamento da arte barroca. Arealidade brasileira era diferente: tratava-se de um centro de comércio, de exploração da cana- de- açucar; de uma realidade de violência, em que escravizavam os negros e se perseguia o índio.Apesar disso, os modelos literários portugueses chegaram ao Brasil, e o Barroco, cujas origens se confundem com as da nossa própria literatura, deu seus primeiros passos. Não havia sentimento de grupo ou de coletividade: a literatura produzida em meio ao espírito de aventura e de ganânicia da mentalidade colonista foi fruto de esforços individuais.
Aqueles que escreviam encontraram na literatura um instrumento para criticar e combater essa mentalidade ou para moralizar a população com os princípios da religião ou, ainda, para dar vazão aos seus sentimentos pessoais mais profundos. O Barroco no Brasil só ganhou impulso entre 1720 e 1750 , quando foram fundadas várias academias literárias por todo o país. A descoberta do ouro, em Minas Gerais, possibilitou o desenvolvimento de um Barroco tardio nas artes plásticas, que resultou na construção de igrejas de estilo barroco durante todo o século XVII.
A obra considerada tradicionalmente o marco inicial do Barroco brasileiro é Prosopopéia (1601), de Bento Teixeira, um poema que procura imitar os lusíadas.Os escritores barrocos brasileiros que mais se destacaram são:
*na poesia: Gregório de Matos, Bento Teixeira, Botelho de Oliveira e Frei Itaparica;
*na prosa: Pe. Antônio Vieira, Sebastião da Rocha Pita e Nuno Marques Pereira.
O Arcadismo no Brasil


























Panorâmica de Ouro Preto com o Museu da Inconfidência e Igreja do Carmo ao fundo

O nascimento do arcadismo no Brasil reflete a condição do intelectual brasileiro no século XVIII: de um lado, recebia as influências da literatura e das idéias iluministas vindas da Europa; de outro, interessava-se pelas coisas da terra e alimentava sonhos de liberdade política.



Em Ouro Preto, palco da Inconfidência Mineira, viveram e atuaram os principais escritores do Arcadismo brasileiro.O Arcadismo no Brasil tem seu surgimento marcado por dois aspectos centrais. De um lado, o dualismo dos escritores brasileiros do século XVIII, que, ao mesmo tempo, seguiam os modelos culturais europeus e se interessavam pela natureza e pelos problemas específicos da colônia brasileira; de outro, a influencia das idéias iluministas sobre nossos escritores e intelectuais, que acarretou o movimento da Inconfidência Mineira e suas trágicas implicações: prisão, morte, exílio, enforcamento.O Arcadismo brasileiro originou-se e concentrou-se principalmente em Vila Rica ( hoje Ouro Preto) MG, e seu aparecimento teve relação direta com grande crescimento urbano verificado nas cidades mineiras do século XVIII, cuja a base econômica século XVIII, cuja a base econômica era a extração de ouro.O crescimento espantoso dessas cidades favorecia tanto a divulgação de jovens brasileiros, providos das camadas privilegiadas daquela sociedade, foram buscar em Coimbra, já que a Colônia não lhes oferecia cursos superiores. E, ao retornarem de Portugal, traziam consigo as idéias iluministas que faziam fermentar a vida cultural portuguesa à época das inovações políticas e culturais do ministro Marquês de Pombal, adepto de algumas idéias de ilustração.Essas idéias em Vila Rica, levaram vários intelectuais e escritores a sonharem com Inconfidência do Brasil, principalmente após a repercussão da independência dos EUA (1776). Tais sonhos culminaram na frustada Inconfidência Mineira (1789).Cecília Meireles, em seu Romanceiro da Inconfidência Mineira, registra o espírito febril provocado pelo ouro:"Mil galerias desabam; mil homens ficam sepultados, mil intrigas, mil enredos prendem culpados e justos; já ninguém dorme tranqüilo, que a noite é um mundo de sustos".





Os Árcades e a Inconfidência





Os escritores árcades mineiros tiveram participação direta no movimento da Inconfidência Mineira. Chegados de Coimbra com idéias enciclopedistas e influenciados pela independência dos EUA, provavelmente não apenas engrossaram as fileiras dos revoltos contra erário régio, que confiscavam a maior parte do ouro extraído na Colônia, mais também divulgaram os sonhos de um país independente e contribuíram para a organização do grupo inconfidente. Esses escritores eram Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Cláudio Manuel da Costa.


Do grupo apenas um homem não tinha a mesma formação intelectual dos demais, nem era escritor: o alferes Tiradentes (dentista Prático).Com a traição de Joaquim Silvério dos Reis, que devia vultosas somas ao governo português, o grupo foi preso. Todos, com exceção de Tiradentes, negaram sua participação no movimento. Cláudio Manuel da Costa, segundo versão oficial, suicidou-se na prisão antes do julgamento.No julgamento, vários inconfidentes foram condenados a morte por enforcamento, dentre eles Tiradentes e Alvarenga Peixoto.


Tomás Antônio e outros foram condenados ao exílio temporário ou perpétuo. Tiradentes assumiu para si a responsabilidade da liderança do grupo.No 20 de abril de 1792, foi comutada a pena de todos participantes, excluindo Tiradentes, enforcado no dia seguinte. Seu corpo foi esquartejado e exposto por Vila Rica; seus bens, confiscados; sua família, amaldiçoada por quatro gerações; e o chão de sua casa foi salgado para que dele nada mais brotasse.O Arcadismo no Brasil iniciou-se oficialmente com a publicação das Obras Poéticas de Cláudio Manuel da Costa, em 1768.Entre os autores árcades brasileiros destacam-se:



*na lírica: Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Silva Alvarenga;


*na épica: Basílio da Gama, Santa Rita Durão e Cláudio Manoel da Costa;


*na sátira: Tomás Antônio Gonzaga


*na encomiástica: Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto.
O Romantismo no Brasil
"Álvares de Azevedo" Amadeo Zani - escultura em bronze


O Romantismo nasce no Brasil poucos anos depois de nossa independência política (1822). Por isso, as primeiras obras literárias e os primeiros artistas românticos se mostram empenhados em definir um perfil da cultura brasileira em vários aspectos: a língua, a etnia, as tradições, o passado histórico, as diferenças regionais, a religião, etc. Assim, o nacionalismo se configura como o traço essencial da produção de nossos primeiros escritores românticos.


O Romantismo no Brasil é o movimento dos pensamentos e mudanças advindos da Revolução Industrial e Francesa ocorridos na Europa. A burguesia ganhava poder e uma nova classe surgia, a dos proletariados. No Brasil, a repercussão destas revoluções é a luta e conquista da independência.Já na literatura observa-se uma introspecção frente à realidade, pois na fase romântica a literatura passa a refletir e observar o homem no seu aspecto subjetivo: as emoções, as condições do estado de alma, os sentimentos de amor e saudade, além disso, valoriza as características nacionais na figura do índio.Além da fuga da realidade ou "escapismo", do nacionalismo e do subjetivismo, o romantismo apresenta as seguintes características: liberdade de expressão e produção, individualismo, pessimismo, medievalismo e crítica social.A publicação de "Suspiros poéticos e saudades", em 1836, do autor Gonçalves de Magalhães é o marco inicial do Romantismo brasileiro. No entanto, o responsável pela consolidação da literatura romântica no Brasil é Gonçalves Dias.O Romantismo brasileiro pode ser dividido em três gerações distintas:


• Primeira geração

Geração cujo tema é a valorização da natureza e da figura do índio. A temática desta fase é o indianismo e tem como principal autor Gonçalves Dias.Quanto à prosa, José de Alencar se encaixa na primeira geração em função de seus romances indianistas.


• Segunda geração

Geração do chamado "Ultra-Romantismo", o qual é justificado pelo exagero na exposição dos sentimentos, na sua maioria, pessimistas (tédio, morte). O poeta Álvares de Azevedo é reconhecidamente o poeta mais dramático desta geração poética.


• Terceira geração

Geração que apresenta tendências do Realismo, por introduzir uma literatura mais voltada para os problemas regionais, políticos e sociais. O romance regionalista de mais repercussão é "Inocência" e tem como autor Visconde de Taunay.

Os principais autores do Romantismo brasileiro são:

Na poesia: Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias, Casimiro de Abreu, Castro Alves.
Na prosa: Joaquim Manuel Macedo, José de Alencar, Visconde de Taunay.
O Realismo, Naturalismo e Parnasianismo no Brasil



REALISMO














Museu da Língua PortuguesaExposição Machado de Assis


Na segunda metade do século XIX, surge um dos mais importantes escritores de nossa literatura: Machado de Assis. Dotado de uma capacidadde técnica incomum, Machado inova o romance enquanto gênero e apura as técnicas do conto e da crônica. Como poucos, penetra a alma humana com excepcional agudeza, a ponto de sua obra, ainda hoje, ser referência e modelo para vários escritores.





O Realismo no Brasil tem como marco inicial a obra Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), de Machado de Assis.O Brasil, durante o período de passagem do Romantismo para o Realismo, sofreu inúmeras mudanças na história econômica, política e social.O Realismo encontrou no Brasil uma realidade propícia para a ascensão da literatura, já que escritores como Castro Alves e José de Alencar haviam preparado o terreno.
O país havia vivenciado fatos importantes como a Guerra do Paraguai (1864 – 1870), a campanha abolicionista, o fortalecimento da economia agrária.A queda da escravidão e do Império criou uma nova realidade no país; a vida social e cultural tornou-se mais ativa, ambas influenciadas por ideais europeus: liberalismo, socialismo, positivismo, cientificismo, etc.
É nesse contexto que surge um dos mais importantes escritores de nossa literatura: Machado de Assis (1839 – 1908).Machado de Assis nasceu na cidade do Rio de Janeiro, era mestiço e de origem humilde. Cresceu sob os cuidados da madrasta Maria Inês, pois assim como a mãe, a portuguesa Maria Leopoldina, seu pai, o mulato Francisco José de Assis, morreu cedo.
Apesar de ter freqüentado escola pública e começado a trabalhar desde cedo, alcançou boa posição como funcionário público, cargo que lhe proporcionou tranqüilidade financeira. Casado com Carolina Xavier de Novais, Machado de Assis dedicou-se à literatura e produziu a melhor prosa brasileira do século XIX.
O escritor compôs cerca de duzentos contos.Os romances e contos anteriores à década de 1880 revelam influências românticas, assim como Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876), Iaiá Garcia (1878), Contos Fluminenses (1870) e Histórias da meia-noite (1873).Machado revela-se mais maduro a partir da publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881); essa marca a segunda etapa de sua produção. O escritor desenvolve uma ironia feroz, retrata um humor velado e amargo em relação àquilo que retrata.Nessa nova fase incluem-se os romances Quincas Borba (1891), Dom Casmurro ( 1899), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908).

Entre seus inúmeros contos estão: "O alienista", "A cartomante", "Missa do galo", "Uns braços", "O espelho", "Cantiga de esponsais", "Teoria do medalhão", "A causa secreta".Machado de Assis produziu uma obra inovadora, que vem conquistando consecutivas gerações de leitores.
Naturalismo
O Naturalismo, assim como o Realismo, volta-se para o retrato objetivo da realidade. Entretanto, observa-a, documenta-a, analisa-a, disseca-a sob uma ótica rigorosamente científica. Os escritores naturalistas, valendo-se de tema sinovadores, mostram a decadência das instituições, denunciam a hipocrisia social, falam da fragilidade do indivíduo perante as forças da hereditariedade e do meio e vêem as lutas sociais com simpatia.


O Naturalismo surgiu na França, na segunda metade do século XIX, retrata o homem como o produto de forças "naturais", instintivas que comporta conforme o meio, o momento e situações específicas.O elemento fisiológico, natural e instintivo predomina, assim como o erotismo, a violência e a agressividade são apresentadas como características naturais do homem.A literatura naturalista tem caráter reformista, uma vez que seus escritores passaram a analisar o comportamento humano e social, de maneira que eram capazes de apontar saídas e soluções.A obra que marca o início do Naturalismo brasileiro é O Mulato (1881), de Aluísio Azevedo.No Brasil, a prosa naturalista foi influenciada por Eça de Queirós, com as obras O crime do padre Amaro e O primo Basílio (ambos da década de 1870).Todos os assuntos ligados ao homem, desde os mais bestiais até os mais repulsivos, foram introduzidos pelo Naturalismo, dessa forma as camadas desfavorecidas d sociedade ganharam voz.São características da linguagem naturalista:- determinismo: o homem é visto como produto do meio, privado de livre-arbítrio, à mercê de forças incontroláveis.- preferência por temas de patologia social: tratavam da influência dos vícios, das taras, das doenças na formação do caráter do indivíduo.- objetivismo científico e impessoalidade: o Naturalismo se apegou somente à precisão das teorias coentíficas, e atentou-se somente aos fatos.- literatura engajada: o Naturalismo apresenta intenção realista de reformar a sociedade.Aluísio Azevedo – senso coletivoAluísio Azevedo se consagrou como escritor naturalista com a publicação de O mulato (1881). Foi o primeiro escritor que se profissionalizou, viveu do que produzia. O que é novo em Aluísio é a percepção do coletivo: multidão, massa, o povo nas ruas, nas praças, nos becos, nos cortiços.O autor reflete o processo de transformação e econômica pelo qual passava o Brasil, momento no qual os centros urbanos cresciam, abrigando todo tipo de gente, que iam às cidades à procura de trabalho.O apogeu foi alcançado pelo Naturalismo com o romance O cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, que destaca o jogo dos fatores sociais.Em 1890, também foi lançado A fome, de Rodolfo Teófilo, O missionário, de Inglês de Sousa, seguido de A normalista (1892) e O Bom crioulo (1895), ambos de Adolfo Caminha.