
Abaporu, homem que come carne humana, em tupi-guarani.Tarsila do Amaral, 1928, óleo sobre a tela.Pintado por Tarsila para presentear Oswald de Andrade, seu marido na época.A tela brasileira mais valorizada. US$ 1,3 milhão, pago por um argentino.Inspirou Oswald de Andrade a escreve o Manifesto Antropófago e criar o Movimento Antropofágico, a fim de 'comer' a cultura européia, pegar o que era bom e transformar numa cultura brasileira, assim como faziam os índios com os bons guerreiros das tribos rivais, comiam a fim de absorver os poderes de tal guerreiro.Por isso o nome em tupi-guarani.
Embora as primeiras manifestações modernistas já viessem surgindo em São Paulo desde 1911, é somente na década de 1920, principalmente a partir da Semana de Arte Moderna (1922), que o Modernismo se difunde e se solicita em nosso país. O debate em torno das questões estéticas aos poucos ganha caráter ideológico, o que prenuncia a literatura de fundo político da década de 1930.
O modernismo brasileiro foi um amplo movimento cultural que repercutiu fortemente sobre a cena artística e a sociedade brasileira na primeira metade do século XX, sobretudo no campo da literatura e das artes plásticas.
Comparado a outros movimentos modernistas, o brasileiro foi desencadeado tardiamente, na década de 1920. Este foi resultado, em grande parte, da assimilação de tendências culturais e artísticas lançadas pelas vanguardas européias no período que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, tendo como exemplo do Cubismo e do Futurismo, refletindo, então, na procura da abolição de todas as regras anteriores e a procura da novidade e da velocidade. Contudo, pode-se dizer que a assimilação dessas idéias européias deu-se de forma seletiva, rearranjando elementos artísticos de modo a ajustá-los às singularidades culturais brasileiras.
Considera-se a Semana de Arte Moderna, realizada em São Paulo, em 1922, como ponto de partida do modernismo no Brasil. Porém, nem todos os participantes desse evento eram modernistas: Graça Aranha, um pré-modernista, por exemplo, foi um dos oradores. Não sendo dominante desde o início, o modernismo, com o tempo, suplantou os anteriores. Foi marcado, sobretudo, pela liberdade de estilo e aproximação com a linguagem falada, sendo os da primeira fase mais radicais em relação a esse marco.
Didaticamente, divide-se o Modernismo em três fases: a primeira fase, mais radical e fortemente oposta a tudo que foi anterior, cheia de irreverência e escândalo; uma segunda mais amena, que formou grandes romancistas e poetas; e uma terceira, também chamada Pós-Modernismo por vários autores, que se opunha de certo modo a primeira e era por isso ridicularizada com o apelido de neoparnasianismo.
Eis alguns dos principais acontecimentos que precederam e prepararam o espírito da Semana:
1911- Oswald de Andrade e Emílio de Menezes fundam a revista de artes O Pirralho. Participa da revista o engenheiro Alexandre Marcondes Machado (Juó Bananére), que satirizava nomes consagrados da poesia brasileira.
1912- Oswald de Andrade volta da Europa trazendo a novidade do verso livre, influência do futurismo italiano e da poesia de Paul Fort.
1913- O pintor russo Lasar Segall, posteriormente naturalizado brasileiro, faz uma exposição de pintura expressionista, sem grande repercussão.
1914- A pintora Anita Malftti regressa da Europa, onde desde 1912 estudava pintura expressionista, e faz uma exposição na Casa Mappin, sem maior destaque. Em 1915 a pintora parte para Nova Iorque.
1915- Ronald de Carvalho (futuro participante da Semana de arte Moderna) e o poeta português Luís de Montalvor participam da revista luso brasileira Orpheu, marco inicial do Modernismo em Portugal. Nesse mesmo ano, Olavo Bilac, o mais famoso poeta brasileiro da época, declama em São Paulo alguns de seus últimos poemas. O acontecimento teve largo destaque na imprensa. Juó Bananére ( italianização de João Bananeiro, apelido muito popular na época), com muitas ironias, também comenta o fato na revista O Pirralho e ali mesmo publica a paródia que fez do soneto ‘Ouvir estrelas’.

O bananal, de Lasar Segall, pintor expressionista
europeu que desenvolveu uma ampla carreira a partir
de motivos ligados à nossa terra. O rico acervo do pintor
encontra- se no Museu Lasar Segall, em São Paulo.


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